Em resumo

Victor Moriyama/Bloomberg

A Raízen, maior produtora de biocombustíveis do Brasil, e seus principais credores se reúnem nesta quarta-feira em Nova York para discutir uma proposta que pode redefinir o futuro da empresa: converter R$ 29 bilhões de uma dívida total de R$ 65 bilhões em ações da companhia. O movimento, parte do maior pedido de recuperação extrajudicial já registrado no país, protocolado em 11 de março, coloca em xeque não apenas a estrutura de capital da joint venture entre Shell e Cosan, mas também o apetite do mercado para operações de reestruturação no agronegócio brasileiro.

“A proposta prevê a conversão de ao menos 45% da dívida em ações, o que deixaria os credores com até 70% das ações ordinárias da Raízen, caso o papel seja precificado em cerca de 40 centavos”.

Como funciona a proposta apresentada em Nova York

A estrutura apresentada pela Raízen aos credores combina três pilares: conversão de dívida em equity, alongamento de prazo e injeção de capital novo. Do total de R$ 65 bilhões em passivos financeiros, R$ 29 bilhões seriam transformados em participação acionária. O restante da dívida teria seu vencimento estendido em 13 anos, com período de carência de cinco anos para amortizações.

Paralelamente, a empresa busca captar R$ 5 bilhões em recursos frescos via empréstimo, também com cinco anos de carência. No lado dos controladores, Shell e Rubens Ometto, da Cosan, comprometem-se com um aporte de R$ 4 bilhões — sendo R$ 3,5 bilhões da petroleira anglo-holandesa e R$ 500 milhões do empresário brasileiro.

A governança seria reconfigurada: o conselho de administração, hoje com oito membros, passaria a ter sete integrantes. Quatro seriam indicados pelos controladores (Shell e Cosan) e três pelos credores, que também teriam direito a vetos em decisões estratégicas, conforme adiantou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.

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FONTE/CRÉDITOS: alan.alex@painelpolitico.com